É com satisfação que falo da nossa ex-aluna de Administração de Uniesp de Presidente Prudente Melaine Rocha Ribeiro, atualmente Melaine Ribeiro é administradora formada e escritora, tem se dedicado à elaboração do livro online A ESCRITORA E O MÚSICO , através desse romance Melaine mostra tudo que a vida tem de melhor e muitas vezes não enxergamos. Com uma leitura simples e agradável, Melaine Ribeiro coloca em poucas palavras o que o coração muitas vezes quer dizer mas a boca não consegue expressar. Essa história tem tudo pra mexer com o seu coração e fazer a razão enxergar que tudo que precisamos: um equilíbrio que somente a alma oferece!



Melaine Ribeiro tem 22 anos e reside em Florianópolis, Santa Catarina, Brazil, após 15 anos morando em Pres. Prudente e através de seu blog www.melaineribeiro.zip.net , pôde expressar já um pouco sobre seu trabalho em poesias, contos, textos e frases que lhe vem em mente.



Atenciosamente
Prof. Walter Roque Gonçalves

 

INDICE DE PUBLICAÇÕES



PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5

PARTE 6 NOVO

 

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A vida uma caixinha de surpresas (PARTE 1)



Um lindo dia de sol me faz amanhecer para mais um dia da minha simples vida.

Definido como mais um tempo qualquer, do qual as mesmas coisas iriam acontecer.
Olhar no relógio e pedir mais cinco minutinhos?... Impossível! Necessário acordar para realidade e encarar o que vem pela frente.
Meus pés, ainda aquecidos pelo cobertor, entram em contato com um chão gelado e bagunçado.
Piso entre cobertas, livros e fios do computador, a caminhada até o banheiro se torna longa e dificultosa.
Os olhos ainda meio que fechados, não querem apreciar por aquele instante a beleza que o dia de sol apresenta nessa manhã.
Assim que entrei no banheiro, carregava um olhar sonolento no espelho. Aquele dia foi um olhar diferente, como se fosse a última vez que me veria daquela forma.
Fixada na face refletida, começo a notar a diferença clara do ontem para o amanhã. Mas é necessário continuar...
Um pouco de água no rosto, um banho refrescante e por fim voltar àquele quarto que poderia estar mais organizado.
Uma roupa comum, básica para um dia igual aos outros. Mas mal sabia eu o que viria pela frente. Se tivesse idéia da proporção do que estava por vir, certamente teria me arrumado e escolhido a melhor de todas as vestimentas.
Enfim, pronta para sair e enfrentar mais um dia. Desliguei todos os aparelhos de casa, tranquei todas as portas, fechei bem o portão e caminhei sentido ao ponto de ônibus, indo para mais um dia de trabalho. Um tempo fresco, um dia lindo.
Subi no ônibus. Mas, naquele dia, o costumeiro transporte me levaria para onde eu menos esperava. Focada somente no caminho para o trabalho me esqueci que a vida nem sempre nos proporciona o comum.
Durante o caminho, uma surpresa desagradável: o ônibus apresenta um defeito mecânico e todos os passageiros são obrigados a descer. Acompanhando os demais passageiros, sento-me em um banco que havia próximo ao local onde o ônibus estava sendo consertado e me perco em meus pensamento entre trechos de matérias, poemas, textos, novas histórias. Era incrível como minha mente não parava um minuto e borbulhava de idéias a todo instante.
Mas isso era comum, talvez devido ao meu trabalho de jornalista que sempre me exigia estar atenta a tudo à minha volta e sempre buscar textos diferentes e algo que seja interessante ao meu público.
Em quinze minutos ali parada, já havia descrito milhares de frases, textos e poemas que logo mais eu os esqueceria pelo simples fato de nunca lembrar de levar meu bloco de anotações junto comigo ou simplesmente um gravador para posteriormente anotar todas as idéias. Sempre aparecia algo novo, as idéias sempre mudavam.
Resolvido o problema do nosso transporte, fomos convidados a voltar e quando informaram o real problema do ônibus, tive a nítida sensação de que aquele dia prometia: O motorista simplesmente havia esquecido de abastecer.
A princípio me aborreci, mas, acabei relevando, pois eu sempre esquecia meu bloco de anotações e sendo jornalista isso não podia acontecer.
Continuei o caminho e, centrada na próxima pauta para o jornal ainda não definida, as idéias em minha mente tornaram a borbulhar até chegar ao jornal “Noticias da cidade”.
Atrasada devido ao imprevisto, desci do ônibus pronta para começar a rotina diária. Caminhei apressada em direção ao prédio, que por sinal estava em reforma, um prédio antigo de 1800, que já era considerado patrimônio da humanidade por sua bela arquitetura e simplicidade, com algumas cores suave e um ar antigo e moderno ao mesmo tempo devido ao seu lindo jardim de orquídeas e tulipas, era ali que me colocava a maior parte do tempo.Ao chegar recebi, era de costume, o alegre sorriso de bom dia do porteiro, senhor Paulo, incrivelmente, nunca mudava a expressão alegre e o sorriso sincero nunca saída daquele rosto, como se os problemas da vida não lhe causassem nenhum impacto.
Segui em direção à minha sala e iniciei mais um dia de intenso trabalho.
Era responsável pela recepção da repercussão das publicações. Eram centenas de e-mails, tweets, recados, scraps, muita coisa a ser lida como retorno do dia anterior, além de várias notas a escrever, entrevistas a agendar, textos a serem analisados e autorizados para publicação.
Amava ser jornalista e tudo o que a profissão me proporcionava e ensinava. Achava divertidíssimo ler os e-mails, cartas procurando soluções para o amor ideal ou um príncipe encantado, segredos de beleza, além de sempre receber histórias incríveis, algumas até surreais. Minha coluna no jornal "Notícias da cidade " que se chamava “Atitude” era basicamente escrita pelos leitores.
Mas, apesar de amar tudo isso, ainda desejava ter um espaço só meu, onde eu pudesse escrever minhas histórias, minhas pautas, opinar e indagar aos leitores. Ter mais autonomia.
O “Notícias” era uma família, não podia reclamar, porém eu buscava muito mais do que tudo aquilo. Apesar de ser um sucesso a coluna que me pertencia, cerca de 500 e-mails diários, eu sentia falta de algo para me sentir mais completa ali dentro.
Mas como já havia previsto, aquele foi um dia realmente diferente. O primeiro e-mail que abri já trazia algo especial, a começar pelo título: “A ESCRITORA E O MÚSICO”.
Cliquei acreditando ser mais uma daquelas histórias de amor de novela: românticas e previsíveis. Mas, me enganei. E me surpreendi a cada linha. Eu nunca tinha lido algo tão profundo e o que mais me deixava inquieta era a forma de como todo e-mail foi escrito.
“Bom dia Melly,
Escrevo-lhe para contar uma história nunca contada ou escrita antes. Uma história verdadeira que nasceu de algo tão intenso que ninguém conseguiria desvendar, além de sua protagonista.”
Fiquei tão fascinada com esse pequeno trecho que mal esperava para continuar toda leitura daquele e-mail. As frases seguintes me indagaram e impressionaram ao mesmo tempo.
“...Dois jovens podem se amar sem ao menos se conhecerem? São perguntas feitas a todo instante, e talvez só tenha a resposta quem vivenciou uma história parecida.
A princípio deixe eu me apresentar: sou um jovem músico de 25 anos, componho minhas próprias canções e ultimamente estou investindo na minha carreira e a história que vou lhe contar é totalmente envolvida nela. É onde a mulher da minha vida se faz presente e com ela toda mudança no íntimo e na estrutura do meu ser.”
Isso me encantou ainda mais. Confesso que, a princípio, pensei que ele quisesse utilizar a coluna para divulgar seu trabalho e a minha coluna não tinha essa finalidade, ou abria esse tipo de espaço, mas fiquei tão interessada naquelas linhas que continuei a leitura quando, para a minha surpresa, li:
“...Quero contar para todos essa história, porém sem citar sobre meu trabalho e principalmente, quero que me ajude a concluí-la”
Aguardo seu breve retorno, Lucky.
Não podia acreditar em tudo que havia lido, não era possível. Eu atarefada, cheia de trabalho, como concluiria uma história que não me pertencia? Ele deveria ter me enviado a história completa para que a pauta fosse aprovada ou não.
Mas ele foi perspicaz. Teve a intenção de fazer com que eu ficasse curiosa e o retornasse. E conseguiu.
Já ia responder o e-mail quando fui chamada para uma reunião com o senhor Luiz, diretor do jornal. Acreditava ser mais uma reunião para apresentação da próxima pauta, eu mal havia lido os e-mails e naquele dia pensei em dizer simplesmente: “estou sem pauta até o momento”. Algo que nunca havia acontecido, sempre fui extremamente organizada no meu trabalho.
Mas, definitivamente, aquele era um dia incomum e, ao contrário do que eu imaginava, ele tinha uma surpresa para mim. Mais uma. Mas, dessa vez, uma que iria mudar para sempre o meu destino...

 

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A vida uma caixinha de surpresas (PARTE 2)



Caminhei tranquilamente pelos corredores do jornal em direção à sala do senhor Luiz. Entre passos lentos, seguia admirada com todas as edições que eram exibidas em forma de quadros nas paredes. Aquilo me encantava e todas as vezes que passava por ali olhava atentamente uma a uma. Além de me sentir realizada, pois nos últimos cinco anos eu fazia parte de toda aquela história, isso me remetia à lembranças da minha infância, quando eu sempre gostava de escrever sobre as linhas de um pequeno caderno de brochuras mal sonhando que um dia estaria onde estou. Era mágico saber que, apesar de todas as dificuldades enfrentadas, eu havia conquistado o meu espaço; e que tudo aquilo estava em minhas mãos, ao meu alcance.
Meu olhar feliz se tornou preocupado ao entrar na sala do senhor Luiz e já estava pronta para dizer que não tinha uma pauta para a coluna quando ele me surpreendeu com uma notícia que fez meus olhos brilharem: Minha coluna havia sido eleita a melhor do “espaço para o leitor”, isso a colocava entre as cinco mais lidas do Brasil e me abria espaço para publicar meus próprios textos e reportagens.
Para mim tudo aquilo era incrível, exatamente o que eu queria, mas seu Luiz me solicitou manter a coluna da mesma forma por seis meses, pois o retorno estava excelente e mudar repentinamente poderia minar o sucesso alcançado. Confesso que desanimei: “Mais seis meses?” Como? Se eu me sentia pronta para repaginar a coluna, e com mais idéias, novos textos para publicar? Tinha a minha grande chance, mas, tive que aquietar e adiar mais uma vez esse sonho. Me restou agradecer pela grande oportunidade e me retirar da sala.
Voltei para a minha sala perdida entre meus pensamentos e os quadros silenciosos na parede. Decidi que atenderia à solicitação do Sr Luiz e o desejo do meu público, trabalhei normalmente: publiquei mais um texto comum como todos os dias e aprovei o texto de uma jovem que havia sido mãe aos 16 anos e se tornado a maior empresária em sua cidade com o tema “Sempre há chance para uma nova vida”. Após mandar para gráfica encerrei o meu trabalho por aquele dia.
Os acontecimentos daquele dia se misturaram entre felicidade e frustração de tal forma que sequer lembrei de responder ao e-mail do músico que se identificava como Lucky.
Antes de ir para casa resolvi caminhar no shopping, na tentativa de entender o que realmente as pessoas queriam para sua vida. Eu precisava saber por que histórias como as publicadas em minha coluna faziam tanto sucesso diante ao público. Eu observava as fisionomias, as atitudes, como gesticulavam, o ritmo que caminhavam. Não sei por que, mas, isso me ajudava sempre.
Caminhei diante das vitrines observando cada uma das pessoas que passavam: crianças apressadas, jovens em grupos, a mansidão dos mais velhos, mulheres encantadas com as novidades, homens entediados. Era sempre igual. E aquele cenário sempre me inspirava e me fazia pensar porque pessoas como aquelas gostavam de escrever para mim. Por que desejavam ver suas histórias pessoais na coluna da “Atitude”.
Mas, não obtive resposta ali, não era tão simples como eu imaginava ou como gostaria que fosse. A coluna tinha algo especial que nem eu, a própria editora, sabia o que era.
Após duas horas de caminhada decidi por fim ir para casa. Exausta e ainda sem respostas subi no ônibus que, devido ao horário, já não se encontrava tão cheio e sentei-me sozinha no último banco. Eu precisava ficar só, refletir comigo mesma o que aquele prêmio representaria, afinal, a coluna continuaria com o mesmo formato e, por enquanto, não conseguiria colocar meus pensamentos no papel para os leitores como eu sempre almejei.
Estava tão absorta em meus pensamentos que não percebi que a maior surpresa daquele dia estava bem ali, na minha frente. Durante a minha distração, um belo e elegante rapaz caminhou em direção à poltrona ao lado da minha. Já estava próximo ao ponto em que eu desceria quando percebi sua presença,ali eis que ele me diz uma frase que, definitivamente, não compreendi:

--- “Você deveria valorizar mais tudo que é colocado em sua vida”.


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A vida uma caixinha de surpresas (PARTE 3)



Quando ia interrogá-lo sobre a frase ele levantou e saltou no ponto seguinte soltando um suave “boa noite e bom descanso”.
Fixei o olhar na janela e ficava refletindo a frase que ele havia me dito. “O que ele sabia ou teria visto para dizer aquilo”?
Depois disso reparei que havia passado um ponto da parada que descia diariamente, levantei, apertei a campainha do ônibus e desci no próximo ponto.
Caminhei em direção à minha casa e no caminho me concentrei para entender tudo que havia acontecido aquele dia.
Ao chegar em casa abri a porta e notei que nada ali dentro havia mudado, que não era apenas uma casa humilde, ia além: a mesma desorganização, tudo do mesmo jeito e me dei conta de que era hora de mudar aquilo.
Talvez como forma de esquecer e desligar do intenso dia de trabalho e de novidades decidi fazer uma faxina. “A mudança devia ser literalmente dentro de casa primeiro, para depois tentar mudar qualquer outra coisa em minha vida”, dizia uma sábia frase que sempre ouvia de minha mãe quando criança e já estava mais do que na hora de colocar em prática.
Organizei tudo: lavei, passei, guardei e ao fim, quando já passavam das 10 da noite e me percebi completamente exausta, tomei um banho, deitei. O cansaço era intenso, notável, não demorou muito para que eu adormecesse. Se encerrava mais um dia e o amanhã já estava por vir com algo que ninguém esperava.
No dia seguinte acordei diferente: animada e esperançosa com o dia que escolhi para ser o primeiro de toda uma mudança. Notei que organizar minhas coisas fazia uma grande diferença e um simples caminho até o até o banheiro que parecia tão complicado, se tornou mais fácil sem obstáculos pela frente.
Tomei um banho quente, escolhi uma roupa mais envolvente que o de costume e liguei para o Senhor Luiz. Decidi que no período da manhã não iria ao jornal, dei a desculpa de que iria procurar pautas externas e o Sr Luiz me liberou tranquilamente. Na verdade eu precisava relaxar, ter um momento comigo mesma e entender tudo que tinha começado a acontecer na minha vida.
Tomei um café da manhã reforçado e decidi ir andando pelas praças e provavelmente chegaria ao serviço para o segundo turno após essa longa caminhada.
Era interessante ver tudo que o acontecia em volta sem estar presente nas situações, e era mais ou menos isso que minha coluna me proporcionava: eu lia e observava todas as histórias, mas nunca estava em nenhuma delas.
Talvez fosse esse o segredo de tanto sucesso. Eu contava histórias que não me pertenciam, mas pertenciam a pessoas que no fundo eram iguais aos meus leitores e isso fazia com que eles se identificassem com tudo o que encontravam ali.
Talvez essa fosse a melhor resposta para fugir de tantos questionamentos.
Parti para o trabalho, mais animada e pronta para ler os conhecidos e-mails diários e escolher a pauta daquele dia. Na verdade estava meio que conformada, aceitando não ter a chance de por meus textos para rodar. Decidi desfrutar do meu prêmio com menos dor e mais receptividade, afinal a coluna era um sucesso e eu tinha grande responsabilidade nisso.
Já com o coração mais aberto caminhei na direção do meu trabalho em passos lentos e pensativos, tentando aproveitar mais o que tinha a minha volta.
Chegando no jornal, recebi o esperado sorriso do senhor Paulo, e um suave boa tarde, caminhei em direção à minha sala pronta para começar o trabalho.
Ao entrar na sala uma surpresa. Havia sobre a mesa um vaso de rosas brancas e um bilhete com uma linda frase: “Dentre todas as rosas de um jardim, não há como não notar o destaque da mais bela: você!”
Fiquei encantada com tanto carinho e afeição, porém o bilhete estava em branco. Curiosa para saber quem era o dono de tão belas palavras perguntei aos meus colegas de trabalho mas, por incrível que pareça ninguém sabia, apenas a Sindy, minha grande companheira de trabalho e amiga para todas as horas.
Quando lembro da nossa história ainda acho graça. Nos conhecemos desde os três anos de idade e crescemos juntas. Fomos as melhores amigas no colégio e decidimos seguir a mesma faculdade de jornalismo. Ela é, inclusive, a grande responsável por eu estar trabalhando nesse jornal, pois é editora e escreve a “Deus de corpo e mente” uma coluna renomada que já recebeu três prêmios como a melhor coluna do gênero. Sindy me informou que uma floricultura havia feito a entrega na portaria e disse que o remetente pediu para não ser identificado.
Ainda pasma, peguei o tão belo presente e o deixei sobre minha mesa. Coloquei o bilhete próximo ao computador e fiquei a admirar aquelas palavras por um bom tempo, até que um aviso de nova mensagem no computador me chamou a atenção.
Inacreditável. Era mais um e-mail do músico Lucky. E eu ainda nem havia lhe respondido a respeito do primeiro e-mail. Abri a mensagem e para minha surpresa ele era o mesmo e-mail da primeira vez, só que com uma observação:
“Não deve a história morrer antes se quer de começar. As rosas murcham, mas a lembrança de tê-las recebido sempre ficam. ” Aguardo, Lucky.
As rosas seriam dele? Impossível! Ou nem tanto...
Meus pensamentos agora se voltaram para aquele e-mail e percebi que o que ele pedia não era possível. Eu não podia me envolver nas histórias, apenas comenta-la e introduzir na coluna, ou seja, o pedido dele não era cabível e logo lhe enviei a resposta.

“Boa tarde Sr Lucky ”

Recebi seu e-mail e fico grata por querer dividir conosco a sua história porém infelizmente, por regras internas, não posso interferir nas histórias enviadas por nossos leitores.
Caso queira que a publique necessito que me envie a história completa e, após aprovação, a colocaremos na coluna.
Sobre as rosas, por coincidência acabo de receber um buquê, seriam suas?

Obrigada!

Att,

Jornalista Melly”

 

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A vida uma caixinha de surpresas (PARTE 4)




Após responder o e-mail e com a minha curiosidade ainda mais aguçada sobre rosas, me peguei olhando a todo o momento para a frase que Lucky havia escrito.

Por que de tanto mistério? O que era ou quem era esse rapaz? Seria ele o mesmo do ônibus?

Minha mente viajava em questionamentos, tentando entender tudo que estava acontecendo naqueles dias, era muita informação ao meu redor, interligadas e vagas ao mesmo tempo.

Levei um susto ao ouvir a Sindy me chamar, pois minha mente estava longe e segui até a sua mesa.

Sindy, toda sorridente me questionou sobre a reunião que eu havia tido com o Sr. Luiz, afinal, ninguém ainda sabia do prêmio eu estava tão distraída que nem comentei com ela própria, a minha melhor amiga.

Contei então sobre o premio que havia recebido em nome da minha coluna. Sindy, sabendo do meu grande sonho de escrever os meus próprios textos na coluna, sentiu a mesma felicidade que senti quando recebi a noticia, me parabenizou e me disse ser a minha grande oportunidade. Foi quando revelei que ainda não teria essa chance, pois o Sr. Luiz queria manter a mesma estrutura por mais seis meses. Assim como eu, Sindy não acreditou, pois, mais que ninguém, ela sabia que poderia ser a minha grande chance. Vendo sua preocupação, fingi estar conformada e ela, acreditando que eu havia aceitado a situação e sabendo que não poderia ajudar naquele momento, me parabenizou tentando me alegrar, me incentivando a fazer uma festa.

Eu aceitei. Até achei interessante para me distrair naquele momento e principalmente comemorar o meu prêmio, afinal era extremamente importante para minha carreira e certamente me “abriria grandes portas”.

Pedi apenas para Sindy organizar uma festa mais intima, apenas com amigos próximos, pois eu pretendia revelar sobre o premio apenas na semana que fosse recebê-lo.

No mesmo instante Sindy me olhou e decidiu atender meu pedido. Deu-me um beijo na testa e com um sorriso largo saiu dizendo que aquela seria a grande premiação da minha vida.

Olhei-a com certa de desconfiança, tive um pressentimento de que minha amiga estaria me aprontando algo para essa festa, mas confiava demais nela e a preocupação sumiu.

Resolvi caminhar até o jardim que havia no térreo, precisava respirar um pouco e pôr meus pensamentos no lugar.

Descendo pelo elevador central, me peguei olhando no espelho que lá e fixei na minha face refletida, procurando no fundo dos meus olhos as respostas para tudo que meu coração sentia. Respostas para os “passeios” da minha mente.

Foi questão de segundos, mas nunca estive tão em mim como naquele momento.

Distraída, mal percebo que o elevador chega ao térreo. Caminho em direção ao jardim do prédio, do qual encanta os olhares com suas tulipas vermelhas e amarelas, algumas orquídeas brancas e rosadas, entre algumas árvores e alguns bancos brancos para sentar e respirar um pouco de ar puro no meio da enorme cidade.

Caminhei tranquilamente, sentei-me em um dos bancos que havia próximo a uma fonte montada ao centro do jardim e comecei admirar tudo que estava em volta.

Após alguns minutos de reflexão escutei alguns passos vindo em minha direção e um “olá” empolgado e feliz. Era Mike, um rapaz belo, loiro, olhos verdes, amigo da época da faculdade, de uma simpatia e educação que não cabiam nele. Levantei prontamente para cumprimentá-lo, não nos víamos há tempos era realmente um ótimo momento para reencontrá-lo. Sorri e demonstrei toda felicidade que senti em vê-lo.

Mike se surpreendeu com a minha recepção, perguntou se estava tudo bem, se havia acontecido algo, pois nunca havia me visto daquela forma. Puxei-o pela mão e o pedi que sentasse ao meu lado. Encostei minha cabeça sobre seu ombro e, naquele momento, como mágica, senti que todos os problemas haviam sumido. Mike, ainda sem entender, mas, muito prestativo e receptivo, me aconchegou em seus braços e acariciou meus cabelos. Era impressionante como nós dois nos entendíamos sem dizer uma só palavra. A amizade que tínhamos era algo que eu nunca encontraria em amigo algum.

Eu amava Mike como a um irmão que eu nunca tive. Nos tempos de faculdade ele sempre me protegia de tudo e de todos, riamos de tudo, fazíamos trabalhos juntos, era sempre o mesmo trio: Mike, Sindy e eu. Após a faculdade eu e Sindy seguimos a carreira, mas Mike decidiu viajar para o exterior, buscar novos ares e construir uma nova vida.

Mike havia retornado ao Brasil há pouco mais de duas semanas e ainda não tínhamos nos encontrado.

Mas, naquele momento senti como se jamais tivéssemos nos separado.

Fiquei ali abraçada com ele sem dizer uma palavra, apenas sentindo meu coração se acalmar e minha mente descansar por um momento. Foi como se todas as dúvidas e inseguranças desaparecessem e tudo estivesse resolvido.

Após alguns instantes, olhei fixamente para Mike, que me perguntou com um sorriso doce e inocente nos lábios:

---- “Você acalmou?”.

Surpreendentemente caí em gargalhadas e falei o quanto era bom tê-lo por perto novamente. O seu sorriso ganhou ares de preocupação e ele me questionou novamente se estava tudo bem.

Tentando aliviar um pouco tudo que me passava pela mente, fechei os olhos e falando de forma mais firme do que realmente estava, respondi que estava ótima, que tudo estava na sua perfeita ordem e perguntei sobre sua viagem, tentando mudar de assunto e fazer com que ele não percebesse a minha agonia e insegurança momentâneas.

Mike, sempre simpático, contou-me da felicidade por estar de volta e do quanto aprendeu lá fora, mas que aqui era o seu lugar.

Eu não tinha palavras, apenas ouvia tudo que Mike me dizia admirada, encantada e, principalmente, feliz por ter o meu amigo tão bem perto de mim novamente.

Há muito tempo não me sentia segura como naquele momento. Nosso papo se estendeu por um longo tempo e, estava tão agradável, que me fez esquecer que estava em horário de trabalho. Deixamos a conversa nos levar, até que somos interrompidos pela Sindy, que me procurava com desespero e foi falando de forma ininterrupta: “Melly, não sabia mais onde te procurar, o Sr. Luiz está esperando pela pauta de hoje, só falta a sua coluna para fecharmos a edição de amanhã...”. Percebi que Sindy não havia reparado na presença de Mike, na verdade ela não o reconheceu. Olhei-a nos olhos e apontei Mike. Falei que mal havia sentido o tempo passar, estava matando a saudade e realmente esqueci de montar a pauta para aquele dia.

Sindy ficou pálida de repente, realmente perdeu o ar quando viu Mike e eu ali, conversando, como fazíamos na faculdade. Não entendi, naquele momento, o olhar de Sindy, como se lhe preocupasse nos ver juntos. Mas, como estávamos com pressa, os deixei conversando e subi para liberar a pauta. Despedi-me de Mike e o convidei para jantarmos naquela noite, continuar o papo. Ele aceitou sem relutar, me deu um beijo no rosto e ficamos de nos encontrar ao sair do jornal.

 

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A vida uma caixinha de surpresas (PARTE 5)



Novamente entrei no elevador a caminho de minha sala com coração e mente mais calmos. Ver Mike, conversar com esse amigo, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido naquele dia. Era impressionante, mesmo com a separação de alguns anos, nossa amizade não havia mudado em nada, tudo ainda era simples e casual, tranqüilo e vibrante ao mesmo tempo.

Ao chegar à minha sala, sentei-me novamente em frente ao computador e olhei as rosas sobre a mesa. Peguei o bilhete em minhas mãos, li e reli várias vezes até guardá-lo novamente na gaveta respirando fundo, precisava me concentrar para as pautas. Precisava ler todos os e-mails que constavam na minha caixa de entrada e foi o que fiz. Estava difícil escolher apenas um e-mail, mas o problema não eram as histórias que ali estavam escritas e sim a história que eu gostaria de encontrar. Sim, o problema era interno, eu estava inquieta e isso interferia em minhas escolhas para coluna. Depois de algumas horas tentando achar algo que me agradasse percebi que precisava me desprender do mundo e tudo que eu estava vivendo. Era necessário focar no meu trabalho e não em mim, nos meus gostos ou no que eu queria ler naquele momento. Não podia esquecer que minha coluna era lida por milhares de pessoas, então, em meio a tantos questionamentos parei o cursor do mouse em um e-mail que me chamou muito a atenção pela simplicidade e clareza do seu título: “Vitória”. Era esse o assunto e título do e-mail enviado pela jovem Sylvia, uma moça simples e batalhadora, que contava sobre sua caminhada nesta vida com a deficiência física, onde pude notar que, em meio a tantos sonhos frustrantes e a vontade de realizá-los impulsionada pelas adversidades encontradas no caminho, por um mundo totalmente sem tempo e sem visão para si mesmo ou para o companheiro ao lado. Sylvia, em um e-mail singelo, me fez mudar o olhar naquela tarde. Incrível como aquilo havia acontecido, se para mim nada estava fazendo sentido, até encontrar essa história que me modificou já nas primeiras linhas, logo imaginei o que isso causaria em todos os leitores.

A história de Sylvia era simples à primeira vista, mas intensa e de grande ensinamento. Aos 27 anos, tetraplégica, com leve paralisia cerebral e uma alegria singular, me fez sentir em suas palavras, através de um simples e-mail, o quanto era feliz em tudo que vivia. Syl, como assina no final do e-mail, aprendeu muito, concluiu os estudos e atualmente divide seu tempo entre escrever poesias, divulgar blogs e atuar no “carona”, um projeto para deficientes destinado a os incluir na sociedade. No final do e-mail Syl assina, de forma tão simples como o título, com uma frase que muitos não observam e entendem o seu real sentido: “Vai ser feliz”! Essas três palavras soaram como uma resposta a tudo que eu questionava sem parar. A resposta era tão simples, nunca um “vai ser feliz” fez tanto sentido ou entrou tão fundo no meu coração e na minha mente como naquele momento.

Estava ali, era isso o que eu queria dizer para meus leitores: “Busquem a felicidade, a cada respirar, a cada instante, em tudo e em todos”.

Decidida, encaminhei a história como pauta para o Sr. Luiz, e ainda solicitei que ele verificasse a possibilidade de conhecermos o projeto e a própria Sylvia, e incluir nas entrevistas destaques do jornal.

Novamente entrei no elevador a caminho de minha sala com coração e mente mais calmos. Ver Mike, conversar com esse amigo, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido naquele dia. Era impressionante, mesmo com a separação de alguns anos, nossa amizade não havia mudado em nada, tudo ainda era simples e casual, tranqüilo e vibrante ao mesmo tempo.

Ao chegar à minha sala, sentei-me novamente em frente ao computador e olhei as rosas sobre a mesa. Peguei o bilhete em minhas mãos, li e reli várias vezes até guardá-lo novamente na gaveta respirando fundo, precisava me concentrar para as pautas. Precisava ler todos os e-mails que constavam na minha caixa de entrada e foi o que fiz. Estava difícil escolher apenas um e-mail, mas o problema não eram as histórias que ali estavam escritas e sim a história que eu gostaria de encontrar. Sim, o problema era interno, eu estava inquieta e isso interferia em minhas escolhas para coluna. Depois de algumas horas tentando achar algo que me agradasse percebi que precisava me desprender do mundo e tudo que eu estava vivendo. Era necessário focar no meu trabalho e não em mim, nos meus gostos ou no que eu queria ler naquele momento. Não podia esquecer que minha coluna era lida por milhares de pessoas, então, em meio a tantos questionamentos parei o cursor do mouse em um e-mail que me chamou muito a atenção pela simplicidade e clareza do seu título: “Vitória”. Era esse o assunto e título do e-mail enviado pela jovem Sylvia, uma moça simples e batalhadora, que contava sobre sua caminhada nesta vida com a deficiência física, onde pude notar que, em meio a tantos sonhos frustrantes e a vontade de realizá-los impulsionada pelas adversidades encontradas no caminho, por um mundo totalmente sem tempo e sem visão para si mesmo ou para o companheiro ao lado. Sylvia, em um e-mail singelo, me fez mudar o olhar naquela tarde. Incrível como aquilo havia acontecido, se para mim nada estava fazendo sentido, até encontrar essa história que me modificou já nas primeiras linhas, logo imaginei o que isso causaria em todos os leitores.

A história de Sylvia era simples à primeira vista, mas intensa e de grande ensinamento. Aos 27 anos, tetraplégica, com leve paralisia cerebral e uma alegria singular, me fez sentir em suas palavras, através de um simples e-mail, o quanto era feliz em tudo que vivia. Syl, como assina no final do e-mail, aprendeu muito, concluiu os estudos e atualmente divide seu tempo entre escrever poesias, divulgar blogs e atuar no “carona”, um projeto para deficientes destinado a os incluir na sociedade. No final do e-mail Syl assina, de forma tão simples como o título, com uma frase que muitos não observam e entendem o seu real sentido: “Vai ser feliz”! Essas três palavras soaram como uma resposta a tudo que eu questionava sem parar. A resposta era tão simples, nunca um “vai ser feliz” fez tanto sentido ou entrou tão fundo no meu coração e na minha mente como naquele momento.
Estava ali, era isso o que eu queria dizer para meus leitores: “Busquem a felicidade, a cada respirar, a cada instante, em tudo e em todos”.
Decidida, encaminhei a história como pauta para o Sr. Luiz, e ainda solicitei que ele verificasse a possibilidade de conhecermos o projeto e a própria Sylvia, e incluir nas entrevistas destaques do jornal.



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A vida uma caixinha de surpresas (PARTE 6)



Após enviar a historia de Sylvia para o jornal resolvi ler mais alguns e-mails e previamente preparar a próxima pauta. Estava empolgada com a volta de Mike e queria aproveitar aqueles dias com ele. “Passeando” pela tela do computador me deparo com um e-mail de Lucky. O que ele teria escrito? Seria sobre as rosas? Seria a resposta de todos meus questionamentos? Curiosa, cliquei, rapidamente.

Ao abrir, me surpreendi com as palavras:


“Um certo alguém pode nos modificar de alguma forma, muitas vezes não notamos em pequenos sinais que estamos rodeados de pessoas que nos amam e, principalmente, da pessoa que amamos. Falar de amor, desejo, cumplicidade pode ser, para alguns, apenas mais um ato de soltar lindas palavras, só que da boca para fora. Mas quando essas palavras são envolvidas por sentimentos verdadeiros, tudo ganha sentido. Pena que muitos não percebem o valor agregado em cada uma delas”.

Assim começa a história por mim vivida. Será que agora pode atender ao meu pedido? Levar adiante essa história ao seu público?

Espero que aceite e que juntos possamos engatilhar essa e linda história.


Bom trabalho,

Lucky


PS: Não questione sobre um presente anônimo, apenas o receba. Se você foi a contemplada, sinta-se honrada, pois em algum lugar alguém deseja sua felicidade.


Enigmático! Essa era a palavra que melhor descrevia Lucky naquele momento. A única que estava em minha mente. Não conseguia entender seus pensamentos nem suas palavras mas, ao mesmo tempo, tocavam intimamente o meu ser. Como se eu o conhecesse há anos e ele soubesse exatamente tudo o que eu precisava ouvir desde o início.

Li e reli aquele e-mail várias vezes. Abri a gaveta onde guardava o bilhete das rosas e olhei fixamente para o buquê, também de rosas, atenta a cada palavra do e-mail e do bilhete.

Foi um momento único, fiquei paralisada em múltiplos pensamentos, tentando encontrar alguma lógica para tudo.

 

 



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